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Levitas Existem?

 
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Rad.



Registrado em: Terça-Feira, 22 de Fevereiro de 2005
Mensagens: 8

MensagemEnviada: Qua Mar 02, 2005 11:33 am    Assunto: Levitas Existem? Responder com Citação

Muito bem gostaria de postar um assunto meio polêmico, baseado em um texto de um professor de teologia, que foi meu orientador no texto final da faculdade.

SOBRE LEVITAS, APÓSTOLOS E OUTROS MODISMOS EVANGÉLICOS – DESABAFO DE UM
PROFESSOR DE TEOLOGIA

Rev. Carlos Eduardo Calvani

Sou um professor de Teologia em crise. Não com minha fé ou com
minhas convicções, mas com a dificuldade que eu e outros colegas enfrentamos nos últimos anos diante dos novos seminaristas enviados para as faculdades de teologia evangélica. Tenho trabalhado como Professor em Seminários
Evangélicos presbiterianos, batistas, da Assembléia de Deus e
interdenominacionais desde 1991 e, tristemente, observo que nunca houve safras tão fracas de vocacionados como nos últimos três anos. Nos início de meu ministério docente, recordo-me que os alunos chegavam aos seminários bastante preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla, com conhecimentos mínimos de história do cristianismo e com uma sede intelectual muito grande por penetrar no fascinante mundo da teologia
cristã. Ultimamente, porém, aqueles que se matriculam em Seminários refletem a pobreza e mediocridade teológica que tomaram conta de nossas igrejas evangélicas.
Sempre pergunto aos calouros a respeito de suas convicções em
relação ao chamado e à vocação. Pois outro dia, um calouro saiu-se com a brilhante resposta: "não passei em nenhum vestibular e comecei a sentir que Deus impedira meu acesso à universidade a fim de que eu me dedicasse ao ministério". Trata-se do mais típico caso de "certeza da vocação" adquirida na ignorância. E, invariavelmente, esses são os alunos que mais transpiram preguiça intelectual. A grande maioria dos novos vocacionados chega aos Seminários influenciada pelos modismos que grassam no mundo evangélico. Alguns se autodenominam "levitas". Outros, dizem que estão ali porque são vocacionados a serem "apóstolos". Ultimamente qualquer pessoa que canta ou toca algum
instrumento na Igreja, se auto-denomina "levita". Tento fazê-los compreender que os levitas, na antiga aliança, não apenas cantavam e tocavam instrumentos no Templo, como também cuidavam da higiene e limpeza do altar dos sacrifícios (afinal, muito sangue era derramado várias vezes por dia), além de constituírem até mesmo uma espécie de "força policial" para manter a ordem nas celebrações. Porém, hoje em dia, para os "novos levitas" basta saber tocar três acordes e fazer algumas coreografias aeróbicas durante o louvor para se sentirem com autoridade até mesmo para mudar a ordem dos cultos. Outros há, que se auto-intitulam "apóstolos". Dentro de alguns dias teremos também "anjos", "arcanjos", "querubins" e "serafins". No dia em que inventarem o ministério de "semi-deus" já não precisaremos mais sequer da Bíblia.
Nunca pensei que fosse escrever isso, pois as pessoas que me conhecem geralmente me chamam de "progressista". Entretanto, ultimamente, ando é muito conservador. Na verdade, "saudosista" ou "nostálgico" seriam expressões melhores. Tenho saudades de um tempo em que havia um encadeamentológico nos cultos evangélicos, em que os cânticos e hinos estavam distribuídos equilibradamente na ordem do culto. Atualmente os chamados"momentos de louvor" mais se assemelham a show ensurdecedores ou de um sentimentalismo meloso. Pior: sobrepujam em tempo e importância a centralidade da Palavra e da Ceia nas Igrejas Protestantes. Muitas pessoas vão à Igreja muito mais por causa do "louvor" do que para ouvir a Palavra que regenera, orienta e exige de nós obediência. Dias atrás, na semana da Páscoa comentei com um grupo de alunos a respeito da liturgia das "sete
palavras da cruz" que seria celebrada em minha Igreja na 6a feira da paixão. Alguns manifestaram desejo de participar. Eu os avisei então que se tratava de uma liturgia que dura, em média, uma hora e meia, durante a qual não é cantado nenhum hino (pelo menos na tradição de minha Igreja - Anglicana),mas onde lemos as Escrituras, oramos e meditamos nas sete palavras pronunciadas por Cristo durante a crucificação. Ao saberem disso, um deles disse: "se não houver música,não há culto". Creio que, em parte, isso é reflexo da cultura pop,da influencia da "Geração MTV", incapaz de perceber que Deus pode ser encontrado também na contemplação, meditação e no silêncio.
Percebo também que alguns colegas pastores de outras igrejas
freqüentemente manifestam a sensação de sentirem-se tolhidos e pressionados pelos diversos grupos de louvor. O mercado gospel cresceu muito em nosso país e, além de enriquecer os "artistas" e insuflar seus egos, passou a determinar até mesmo a "identidade" das igrejas evangélicas. Houve tempo em que um presbiteriano ou um batista sabiam dar razão de suas crenças. Atualmente, tudo parece estar se diluindo numa massa disforme. Trata-se da
xuxização" ("todo mundo batendo palma agora... todo mundo tá feliz ? ta feliz!") do mundo evangélico, liderada pelos "levitas" que aprisionam
ideologicamente os ministros da Palavra. O apóstolo Paulo dizia que a
Palavra não está aprisionada. Mas, em nossos dias, os ministros da Palavra, estão - cativos da cultura gospel. Tenho a impressão de que isso tudo é, em parte, reflexo de um antigo problema: o relacionamento do mundo evangélico com a cultura chamada "secular". Amedrontados com as muitas opções que o "mundo" oferece, os pais preferem ter os filhos constantemente sob a mira dos olhos aos domingos, ainda que isso implique em modificar a identidade das Igrejas. E os pastores, reféns que são dos dízimos de onde retiram seus salários, rendem-se às conveniências, no estilo dos sacerdotes do Antigo Testamento.
Um aluno disse-me que, no dia em que os evangélicos tomarem o poder no Brasil acabarão com o carnaval, as "folias de rei", os cinemas, bares,
danceterias etc. Assusta-me o fato de que o desenvolvimento dessa
sub-cultura "gospel" torne o mundo evangélico tão guetizado que, se um dia, realmente os evangélicos tomarem o poder na sociedade, venham a desenvolver uma espécie de "Talibã evangélico". Tal como as estátuas do Buda no Afeganistão, o "Cristo Redentor" estará com os dias contados. Esses jovens que passam o dia ouvindo rádios gospel e lendo textos de duvidosa qualidade teológica, de repente vêm nos Seminários uma grande oportunidade de ascensão profissional e buscam em massa os seminários. Nunca houve tanta afluência de jovens nos seminários como nos últimos anos. Em um seminário em que trabalhei (de outra denominação), os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários como bacharéis em teologia, aptos para o exercício do ministério. A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores? Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: envia-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: "Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros". De fato, percebi que alguns realmente se mostravam decepcionados ao saberem que teriam que começar seu ministério em um lugar pequeno, numa comunidade pobre, fazendo cultos nos lares, cantando às vezes "à capella" e sem o apoio dos amplificadores e mesas-de-som.
Na maioria dos Seminários hoje, os alunos sabem o nome de todas as bandas gospel, mas não sabem quem foi Wesley, Lutero ou Calvino. Talvez até já tenham ouvido falar desses nomes, mas são para eles, como que personagens de um passado sem-importância e sobre o qual não vale a pena ler ou estudar.
Talvez por isso eu e outros colegas professores nos sintamos hoje em dia como que "falando para as paredes". Nem dá gosto mais preparar uma aula decente, pois na maioria das vezes temos sempre que "voltar aos rudimentos da fé" e dar aos vocacionados o leite que não recebem nas Igrejas. Várias vezes me vi tendo que mudar o rumo das aulas preparadas para falar de assuntos que antes discutíamos nas Escolas Dominicais. Não sei se issoacontece em todos os Seminários, mas em muitos lugares, o conteúdo e a profundidade dos temas discutidos pouco difere das aulas que ministrávamos na Escola Dominical para neófitos.
Sei que muitos que lerem esse desabafo, não concordarão em nada com o que eu disse. Mas não é a esses que me dirijo, e sim aos saudosistas como eu,nostálgicos de um tempo em que o cristianismo evangélico no Brasil erarealmente referencial de uma religiosidade saudável,equilibrada e madura e
em que a Palavra lida e proclamada valia muito mais que o último CD da moda.
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osquinha



Registrado em: Quarta-Feira, 8 de Dezembro de 2004
Mensagens: 451

MensagemEnviada: Qua Mar 02, 2005 5:22 pm    Assunto: Responder com Citação

concordo em muitos pontos com você, breve mandarei um post expondo minhas opiniões sobre esse assunto polêmico, porém necessário
muitas pessoas num sabem a diferença entre SER CHAMADO PARA... e GOSTAR DE...
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mmagmarco



Registrado em: Sábado, 26 de Fevereiro de 2005
Mensagens: 7

MensagemEnviada: Dom Abr 17, 2005 11:24 pm    Assunto: Responder com Citação

Cara;
to vendo sua mensagem um pouco tarde mas, concordo com muitas colocaçoes de seu mentor (modo de dizer, tá?). Fui evangelico por muito tempo, cheguei a ser presidente de jovens de uma determinada igreja e sei, com conhecimento de causa, que existem razoes e Razoes, para que as coisas estejam neste pé que o Carlos Calvani relata. O que a igreja fez comigo, nao foi nada humano.
Louvor mexe bastante comigo, muito mais do que uma pregacao porque hoje, eu as escuto como critico e nao como ovelha.
Talvez seja hora dos lideres repensarem sua postura mas, tambem posso estar errado né?
Abraçao
Marco Antonio
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GuitarJC



Registrado em: Terça-Feira, 26 de Abril de 2005
Mensagens: 187

MensagemEnviada: Qua Abr 27, 2005 8:24 pm    Assunto: Responder com Citação

Essa é a pura realidade da igreja evangélica brasileira. Infelizmente, creio que a falta de leitura da bíblia está ocasionando tudo isso. Pessoas que misturam a graça com a lei e acaba ocorrendo esse sincretismo que, na prática, é difícil de se entender.

Ora apregoam a existência de levitas, inclusive, com rituais para consagração/ordenação de ministros, mas quando se requer o compromisso do custeio (o dízimo na lei foi destinado aos levitas), mudam de assunto.

Por tudo o que está ocorrendo, creio que a igreja evangélica, ao contrário do que está sendo apregoado, está em ligeira decadência. Se por um lado estão abarrotadas de membros, por outro, falta qualidade. Quantidade nunca foi e será sinônimo de qualidade. Pelo contrário, a bíblia nos orienta sobre o caminho estreito e de difícil passagem.
Nossos músicos e ministros de louvor não se interessam em conhecer a bíblia. O resultado disso é um estrelismo bastante perceptível. A maioria são neófitos.

O consolo é que tudo isso está acontecendo porque a bíblia tem que se cumprir. É o espírito de apostasia tomando, cada vez mais, proporção no seio das igrejas. Aquele que está de pé, cuide para que não caia.
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osquinha



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MensagemEnviada: Qui Abr 28, 2005 9:42 am    Assunto: Responder com Citação

devo dizer tbm q infelizmente as igrejas não dão valores aos seus "levitas", muitos os chamam de "tocadores", pessoas q estudaram mto pra saber, as vezes o cara eh ateh maestro e nem eh chamado de músico (ou musissistas para mulheres)

certo dia eu num consegui pegar o tom de uma irmã ele começou em G e foi em soh Deus sabe aquele tom, intaum o dirigente vira pra mim e diz nom microfone: -eh irnaos vamos comprar uma guitarra com o braço maior quem sabe o nosso TOCADOR consgue tocar assim
cara isso foi um soco na boca do estomago

e o valor q essas pessoas merecem, hj em dia cara eu to ficando a pampa, mas qdo sai a igreja o q nao faltou foi convite para entrar em bandas do mundo, do axé ao rock, e eles me pagariam

e ainda existe aquele irmao q soh gosta de dirigir o culto qdo um certo múscio esta tocando, pq eles tem o msm gosto musical

agora eu pergunto a vcs serah q as igrejas dão valor a todos os seus membros igualmente, falando especificamente dos músicos, ou serah q preferem aqueles q tocam musicas lentas aos lokos como eu q gostam de rock?!?!?!?!?!?!?!?
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MensagemEnviada: Qui Abr 28, 2005 10:32 am    Assunto: Responder com Citação

São posições técnicas essas. Em todos os ramos são necessários cargos técnicos.
Sempre quando uma pessoa se julga mais importante, ocorrem críticas destrutivas e comportamentos snobes.
Sou adebto da teoria de igualdade de valores, por isso que eu, enquanto músico, respeito o sacerdote, não falo mal dos leigos (mas falo quando eles precisam se atualizar) e tenho muita admiração por quem canta.

Na verdade, o anseio de disfarçar, ou a admiração, ou a inveja, é que faz esse tipo de dirigente agir dessa forma, mas pode deixar, quando ele tiver uma caminhada consistente, ele vai perceber que falta faz um sapato de vez em quando... Para enfiar na boca dele e evitar que ele diga asneiras de novo.
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osquinha



Registrado em: Quarta-Feira, 8 de Dezembro de 2004
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MensagemEnviada: Sex Mai 06, 2005 10:05 am    Assunto: Responder com Citação

o interessante eh que os levitas levavam a arca de Deus (que representava para onde o povo deveria virar pra orar, onde Deus estava), somnete os llevitas poderiam tocar nesta arca, tem uma passagem que a arca ia caindo e um homem foi segurá-la e morreu, pois Deus não deixou ele tocá-la pois era soh para os levitas
hj em dia os "levitas" não tem essa liberdade, eles não exercem o seu ministério de "levar a presença de Deus", e tbm não são remunerados, e muito menos exercem o minitério da "tenda da congregação", que seria dar toda a manutenção necessária a casa de Deus.
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